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Hidratação dos olhos requer atenção e cuidados



O olho humano é um dos mais complexos e delicados órgãos do corpo. Integrados à anatomia dos nossos olhos estão o corpo ciliar, a córnea, a pupila, a íris, a retina, o nervo ótico, entre outras estruturas fundamentais. Todo esse conjunto precisa de cuidados, proteção e hidratação para o bom funcionamento e saúde do globo ocular.

"Naturalmente, algumas pessoas podem ter deficiência na produção lacrimal, pois não conseguem produzir a quantidade adequada de lágrima. Mas agentes externos e ambientais também podem desencadear o ressecamento da superfície do olho", explica o oftalmologista Marcelo Netto, Professor e Doutor em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo.

O filme lacrimal é composto por três camadas: mucina, aquosa e lipídica, sendo esta última a que impede a evaporação da camada aquosa, hidrata e limpa o organismo. Quando há carência lipídica, a camada aquosa fica exposta, o que aumenta a evaporação do filme lacrimal. Além disso, às vezes, o próprio organismo pode alterar a composição da lágrima – mais de 100 substâncias essenciais para a limpeza e defesa contra micro-organismos.

A baixa produção de lágrimas pelas glândulas lacrimais caracteriza uma doença denominada de Síndrome do Olho Seco, uma disfunção lacrimal que se não tratada pode levar à ulceração das córneas e até mesmo à perda da visão.

A síndrome do olho seco vem sendo considerada por muitos oftalmologistas com uma epidemia, são aproximadamente 20 milhões de brasileiros, o equivale a 10% da população. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Síndrome atinge mais as mulheres, na proporção de três para cada homem. A síndrome é a segunda maior causa de atendimento nos consultórios oftalmológicos durante o inverno, em grande parte devido à baixa umidade do ar – a concentração de poluentes aumenta em até 80% durante o inverno em locais onde há grande número de indústrias e veículos em circulação.

Os sintomas são ardência, vermelhidão, sensação de areia ou de corpo estranho, coceira, lacrimejamento, cansaço, irritação, visão turva (pode melhorar depois de piscar), desconforto ao ler, assistir televisão ou trabalhar em frente ao computador por muito tempo.

Celular, computador e tablet

Outra síndrome relacionada ao olho seco e pouco conhecida é do seco irritativo, quando não há deficiência de produção da lágrima, mas em virtude de fatores externos que provocam a desidratação ocular, como exposição ao sol, vento, ar condicionado, fumaça, poluição.

"Atualmente, a tecnologia tem influência direta nos fatores do olho seco. Comumente, usuários de equipamentos eletrônicos, como computadores, celulares e tablets, reduzem a frequência de piscadas, o que provoca a diminuição na lubrificação dos olhos", destaca Marcelo Netto.

Tratamento

A doença é crônica, aparece de forma lenta e pode causar sintomas imperceptíveis até quadros muitos graves, com sério comprometimento da saúde ocular, bem como na qualidade de vida. Acompanhamentos devem ser frequentes para evitar que lesões na córnea venham comprometer a visão de forma temporária ou mesmo definitivamente.

A primeira alternativa de tratamento é o uso de lubrificantes artificiais, lágrimas artificiais e colírios, que atuam como substâncias fisiológicas, ou seja, substâncias que já integram nosso organismo, fazendo com que o resultado seja efetivo e instantâneo. Embora o uso do colírio seja simples, o modo correto de aplicação garante a eficácia da solução e também evita o desperdício.

"Mesmo que as lágrimas artificiais sejam livres de prescrição médica, recomenda-se a consulta periódica com um oftalmologista, tanto para indicar o colírio mais adequado para cada caso como para o diagnóstico e tratamento corretos para as deficiências na produção lacrimal", finaliza o professor da USP, Marcelo Netto.

Bonde Paraná - 02/10/2017